8 Coisas que os Advogados devem parar de fazer já

A maioria de nós começou o ano, o mês, a semana, com intenção de nos focarmos nos nossos objectivos e seguir os hábitos que sabemos aumentam a produtividade dos Advogados.



Entretanto, fomos atingidos pelas imensas solicitações que sacrificam aquelas intenções. E, na maioria dos casos, as boas intenções acabam por sucumbir às urgências.


O problema com o estabelecimento de metas, resoluções, intenções (como queira chamar aos gatilhos para a mudança comportamental) é que, normalmente, nos concentramos em adicionar algo aos nossos dias; concentramo-nos em ganhos de eficiência, que envolvem fazer mais coisas em menos tempo, ao invés de nos concentrarmos nos ganhos de eficácia, ou seja, fazer as coisas certas!

A desvantagem do foco apenas na eficiência é que estamos a abrir espaço para mais trabalho não essencial. Por exemplo, quanto mais eficientes formos a gerir a caixa de e-mail, mais e-mails acabaremos por ler e responder; quando, na verdade, deveríamos focar-nos em dar seguimento e/ou responder apenas àqueles e-mails em que temos, de facto, de fazer algo e em que temos de ser nós a fazê-lo.


A chave para a produtividade na Advocacia

Praticamente todos os Advogados com quem trabalhei se debateram, em algum momento, com questões de gestão de tempo. E posso, desde já, revelar que a solução para os problemas de gestão de tempo na Advocacia não está em tentar encontrar mais horas no dia. A chave para uma produtividade real e significativa do Advogado é identificar as tarefas mais importantes e essenciais que levam ao sucesso e trabalhar para não priorizar o que não é prioritário e eliminar tudo o resto!


Tendo em vista este objectivo, aqui estão as 8 coisas que os Advogados devem parar de fazer:


1. Deixar a porta aberta a solicitações

Todos nós recebemos pedidos bem-intencionados de amigos, colegas, familiares, até mesmo de pessoas que não conhecemos. Às vezes, faz sentido aceitar esses pedidos, outras (talvez a maioria) são apenas distracções desnecessárias. Pode, no entanto, ser difícil dizer um "Não" duro. Então, deixamos a porta aberta, dizendo: "Vou pensar sobre isso" ou "Assim que conseguir ver isso, volto ao teu contacto". “Chutamos para a frente” e a solicitação perdura, resultando em e-mails e contactos de acompanhamento que ocupam mais tempo…

Comece, então, por fechar a porta às solicitações que o/a desviam de seu trabalho mais importante. Dê um firme e respeitoso “Não” no momento.


2. Subestimar o tempo que as coisas levam

Uma das razões pelas quais dizemos “Sim” com muita frequência é que subestimamos quanto tempo as coisas podem levar a ser feitas. Desde uma reunião de apresentação até à redacção de um artigo, quase tudo leva mais tempo do que o que previu inicialmente.

Portanto, ganhe consciência do tempo que leva a concluir tarefas que domina e, em tudo o que não puder prever com precisão, tenha cuidado ao dizer “Sim” instantaneamente.


3. Esperar até ao final do dia para fazer o trabalho mais importante

Quando muitos Advogados chegam ao escritório ou se sentam, em casa, à secretária, os telefonemas e e-mails já estão a chegar há muito. Acabam, assim, por não conseguir organizar-se, nem realizar os trabalhos importantes quando deveriam. Deste modo, passam os dias na agitação das urgências dos clientes ou outros (tantas vezes, falsas urgências) e só começam a trabalhar nos assuntos importantes quando podem, ou seja, ao final do dia, quando as coisas acalmam (ou, pelo menos, diminuem).

Pare de trabalhar desta forma. Inverta os seus dias. Se trabalha o dia todo, em stress, à noite seu cérebro já está cansado e os seus níveis de produtividade estão muito mais reduzidos. Não guarde o trabalho mais importante para o final do dia. Faça-o primeiro, quando a sua mente e corpo estão revigorados.


4. Trabalhar com clientes difíceis

Clientes difíceis conseguem sugar todo o oxigénio de uma sala, consumir a energia e o foco de um ou mais Advogados. Além disso, tendem a ocupar muito mais tempo que o necessário e isso pode ter como consequência que bons clientes se sintam negligenciados e queiram ir embora ou, pelo menos, recuar no volume de serviços contratados com o seu escritório. Já o dissemos no eBook e reafirmamos, clientes infelizes criam Advogados infelizes.

É, por isso, fundamental afastar-se, de maneira cuidadosa, responsável e ponderada, de clientes difíceis. É preferível reduzir os clientes difíceis ao longo do tempo e alocar recursos em torno dos clientes de qualidade existentes e que se pretende mantenham uma relação com o escritório, bem como libertar espaço e tempo para bons e novos clientes.


5. Tornar o marketing e o desenvolvimento de negócio mais complicados do que devem ser

Um dos desafios do desenvolvimento de negócio é que as oportunidades parecem quase infinitas. É fácil pensar que todos os clientes individuais, ou todas as empresas, são potenciais clientes e, por isso, criar abordagens elaboradas e complexas de marketing e desenvolvimento de negócio que são projectadas para atingir mercados de massa.

Já parou para pensar: de quantos novos clientes realmente preciso? Se fizer a si mesmo/a esta pergunta, muitas vezes, descobrirá que o número é muito menor do que pensa e, assim, pode organizar seu marketing e desenvolvimento de negócio em torno de um objectivo específico ou fatia de mercado. Isto permitirá a criação de uma estratégia mais personalizada, direccionada e, em última análise, mais eficaz.

Não se pretende que deixe de ambicionar ter sempre mais clientes, apenas alertar para o facto de que, se quiser todos ao mesmo tempo, a probabilidade da sua abordagem ser eficaz é menor.


6. Reagir em vez de planear

Um Advogado “para toda a obra” reage às oportunidades. Vejamos como: um cliente contacta-o para tratar de um assunto de Direito da Família e, apesar de ter pouca ou nenhuma experiência nesta área, assume a pasta. Passa muito tempo a actualizar-se, relembra a matéria e, até, constata que consegue trabalhar bem nesta área. Então, acrescenta a nova área do Direito à lista de áreas de actuação indicadas no seu site. Mais tarde, uma questão de Direito Imobiliário surge e muda, novamente, o foco, fazendo o mesmo raciocínio. Ao percorrer o caminho desta forma, terá, certamente, maiores dificuldades em chegar ao sucesso que pretende.

No eBook “5 Estratégias para ganhar tempo na Advocacia e equilibrar a vida pessoal e profissional” enfatizo a importância de definir um nicho se quiser construir uma prática de sucesso. Um Advogado “artesão” irá, através de acções planeadas, atrair o seu cliente ideal.


7. Acreditar que “vender” é um palavrão

Na Advocacia, “vender” é um palavrão que parece denotar ausência de valores e até alguma agressividade.

Há que deixar de pensar assim ou, pelo menos, perceber que o sentido deste verbo não desvirtua a nobreza da profissão e o sentido de Justiça que lhe está subjacente, pois a verdade é que os Advogados vendem os seus conhecimentos, o seu tempo, os seus serviços. Claro que não vamos – nem podemos – passar a anunciar que vendemos X ou Y, mas podemos encarar o momento de apresentação das notas de honorários sem o incómodo, tantas vezes, sentido por alguns Colegas. Alguém teve um problema e precisou de si para o resolver, agora é hora de cobrar um valor justo pelo trabalho realizado, é tão simples quanto isto.


8. Negligenciar a sua saúde e bem-estar

É um mito que a única maneira de construir uma carreira jurídica bem-sucedida é dar tudo até não poder mais. Na verdade, como temos sido lembrados, com frequência ultimamente, esse é o caminho para o esgotamento e a insatisfação e, pior ainda, para graves problemas de saúde física e mental. É necessário muito esforço, muitas horas de dedicação e empenho? Sim, claro que sim! Mas, se há coisa que esta recente pandemia mostrou, é que é possível fazer diferente, é possível conciliar.

A prática do Direito pode ser intelectualmente estimulante, financeiramente compensadora e, ainda assim, um Advogado ter outros interesses a perseguir. Para isso, precisa fazer destas novas experiências e das novas pessoas uma prioridade. Caso contrário, se não planear o seu tempo, intencionalmente, para actividades e pessoas que apoiem a sua saúde e bem-estar, o trabalho preencherá, inevitavelmente, esses blocos de tempo.


Faça escolhas conscientes

Há muitas coisa que pode e deve fazer para se tornar um/a Advogado/a mais bem-sucedido/a. Porém, muitas vezes, esquecido é o facto de que haverá ainda mais coisas que deve parar de fazer. Os seus sucesso e realização dependem de uma visão clara do que o/a levará a atingir os resultados que deseja e do que o/a afastará deles. Por isso, escolha de forma inteligente e consciente.

Lembre-se que fazendo menos, conseguirá fazer mais! Mais do que o/a realiza, mais do que o/a faz feliz, mais do que faz a sua família feliz.


Vamos juntos, rumo a uma Advocacia de sucesso!